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segunda-feira, 17 de maio de 2010

alegrias, tristezas... e afins!



Sempre entendi como minhas as causas dos meus amigos. Sempre achei que quem magoa um amigo magoa-me a mim. Por isso sempre abracei a causa gay defendendo o direito a que cada um possa escolher a felicidade. Parece mentira!!! Eu, um hétero incurável que teima em "babar" perante a formosura do sexo oposto, aqui a dizer umas coisas em favor da comunidade Gay... Parece impossível...

Hoje há motivo de brindes e festejos e a primeira opção de ilustração deste texto seria algo que indicasse alegria e festa, porém, depois de vaguear pelas redes sociais perscrutando realidades morais e opiniões, confesso que perdi o ânimo... mas não a alegria!!! Estou cada vez mais convencido de que este triste país que se diz moderno e civilizado estaria mais uma vez disposto a oprimir uma minoria que apenas quer ser feliz. Estou horrorizado e revoltam-me os argumentos contra uma lei que apenas serve para dar o direito a quem o não tinha. Uma lei que melhora a vida de alguns sem prejudicar nenhuns jamais deveria ser contestada. Apesar disso, Senhor António de Oliveira deixou por cá muita semente e são essas as pessoas que me vão enojando com atitudes e opiniões de quem acha que se deve espezinhar alguns porque... pois... apenas porque... porque sim!!!
Perante isto, resta-me acreditar que o tempo se encarregará de moldar ideias e opiniões no sentido correcto. Para já, agarro-me ao prazer de ter visto em directo o Presidente Homofóbico engolir um sapo e queixar-se ao povo pelo facto de ter sido obrigado a aceitar a democracia, aahhh essa vil forma de ordenação popular!!! Não vou querer mais sofrer com ideias mesquinhas de gente mesquinha. Vou gritar bem alto como fez Fernanda Câncio na sua Jugular: "Iupiaiei motherfuckers"... tomem lá com a democracia nas ventas e limpem a baba e o ranho aos tiques fascistas que vos vão mantendo nessa ilusória sensação de sociedade aristocrática e prosélita...
Analisando politicamente a ocorrência (assim mesmo, com palavreado de gnr), O que Cavaco fez hoje foi apenas o resultado do aprofundado estudo da situação por parte dos seus assessores políticos. Por alturas do 25 de Abril deu mau resultado, apareceu para ali com discurso de ideias vagas e demasiado ideológico mas sem conceito definido para, no fim, pescar uns votos no Porto com umas sugestões de iniciativas que ainda hoje ninguém sabe do que constam.
Mas hoje não, hoje Cavaco acertou em cheio... Passando a mão pelo pêlo da maioria preconceituosa e intolerante deste país, sem sequer precisar de se referir a eles como tal, acabou por deixar contentes também os membros da comunidade Gay que viram o teor fundamental do assunto resolvido. Está assim em Campanha este presidente desde o início do ano! Alegre que se cuide, pois não tem uma máquina presidencial a seu lado e nem o PS estará muito interessado em elegê-lo, pois já se viu que se dá muito melhor com este Presidente!!!
Mas voltemos à questão do projecto de Lei: Cavaco "esqueceu-se" de enviar ao TC a norma que impede um Homossexual assumido de adoptar uma criança (os não assumidos podem) e isto terá obviamente de ser resolvido porque é pura e simplesmente inconstitucional... Talvez só depois das presidenciais!
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quando não se tem atenção ao que se diz...

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Alguns deputados da direita parlamentar Portuguesa começam a apontar o dedo à proposta de Lei que será amanhã apresentada à discussão pelo governo visando a legalização dos casamentos entre indivíduos do mesmo sexo. Esse apontar de dedo assenta em argumentos de que a forma encontrada para impedir a adopção por parte dos referidos indivíduos, incluindo um artigo discriminatório na lei do casamento, nada mais é do que um preparar terreno para que num futuro próximo o referido artigo seja avaliado pela sua inconstitucionalidade e simplesmente removido.
Ora, confesso que não me tinha passado tal pela cabeça mas... A ser verdade, acho puramente genial!!! Se este é o caminho para lutar contra a tacanhez generalizada do povo do meu país, então há que segui-lo sem olhar para trás.
Tenho lido, ao longo dos últimos meses, muitas argumentações de ambas as partes e, embora confessando que jamais mudaria de opinião neste assunto, muitos escritos contra tenho assimilado e, dessa forma, tenho sentido vergonha extrema pelo pensamento de Portugal. É deveras impressionante a facilidade com que se tem contrariado a boa vontade da lei que se antevê simplesmente assentando opiniões em discriminação homofóbica que vai chegando pelo método de histeria parva e abdicando de argumentação. É a velha história do direito natural ou instituído que muitos não ousam questionar! Neste caso da jogada política que se aponta ao governo, é curioso ver como o argumento apresentado é precisamente o que deveria legitimar a lei ou seja, a inconstitucionalidade da discriminação. Ao preverem a queda do artigo que impede a adopção por tal motivo, não questionando esse mesmo motivo, estão a legitimá-lo...
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sábado, 12 de setembro de 2009

Guardando coisa nenhuma

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Já todos nós assistimos em algum momento a um qualquer filme despretencioso de piratas e marinheiros, de justiceiros e ladrões, de índios e cowboys ou quaisquer outros intervenientes que se opõem cronicamente ao longo da história. Em todos esses filmes (alguns não, vá) há sempre um objecto de disputa... Uma donzela, o poder universal, um pedaço de terra, um tesouro!!! Em muitos deles, porque não se reproduziu uma amostra prévia, o valor desse alvo disputado acaba por ser efémero, ou seja, apenas durou enquanto fomentou a disputa e esgotava-se nela mesma, na disputa que suscitava para que depois (por vezes, repito) não se apresentasse de utilidade alguma...

Ora, mas isto era nos filmes, ou desenhos animados... Na sequela de Balas e bolinhos, lembram-se? O tesouro era um bacalhau!!! Pois, mas era aí... e aí somos tão permissivos e condescendentes quanto a magnitude do ócio que nos predispôs a empenhar um tempinho naquela banalidade e no fim, com um brilhozinho nos olhos e sorriso disfarçado nos lábios damos por nós a pensar - "Como é bom ser um pouco pateta" (não confundir com pâteta como diz o Sócrates, isso é outra coisa)...

Pois bem, no quotidiano também nos vamos deparando com pessoas assim... Gente tão vazia que se falassem sairía ressonância do seu interior... Gente que passa um dia inteiro sem esboçar um sorriso pois isso poderia indicar falta de seriedade... Gente incapaz de cantarolar ou assobiar uma canção por medo de ser achada emotiva e, consequentemente parva... Gente que pura e simplesmente não fala porque assim vai mantendo a aparência sábia e sóbria... Enfim, gente que não se diverte mas que, de aparência, se apresenta como um baú cheio de sabedoria e informação... Maioritariamente, essa gente (salvo raríssimas excepções) é um baú sem uma única moeda de oiro... É o flop, a desilusão, o balde de água fria, a mão cheia de nada, a ilegítima vaidade que grassa na sociedade deste meu paupérrimo país...
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