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“…O divino e o profano dão ali as mãos, num amplo entendimento. O céu desce um pouco, a montanha sobe mais, e ninguém sabe ao certo a que reino pertence. Com a cuba do estômago cheia e a imagem da Santa espetada na fita do chapéu, um homem sente-se capaz de tudo: de matar o semelhante e de comungar. Ouve-se um padre-nosso e uma saraivada de asneiras ao mesmo tempo. E apaga-se naturalmente do espírito a estrema que separa o mundo real do irreal. Só quem vem de peito feito para cumprir à risca a devoção que o traz, seja ela qual for, consegue encontrar pé num tal mar de contradições.”Miguel Torga, Miguel Torga poemas, Miguel Torga biografia, Miguel Torga bibliografia, Miguel Torga poesia, Miguel Torga bichos, Miguel Torga novos contos da montanha, Miguel Torga vida e obra, Miguel Torga coimbra, Miguel Torga escola, Miguel Torga trás os montes, Miguel Torga vila real, Miguel Torga contos, Miguel Torga provincia