Já não te livras da fama
do cheiro a musgo e da lama,
e do frio que punhas no respirar.
Lembra-me bem o encanto
e a densidade do manto
de neblina que espalhavas no ar.
Havia namoros de verão
pela frescura do chão
e da leveza que emprestaste aos sentidos.
Testemunhaste promessas
beijos trocados sem pressas
e guardaste sussurros julgados perdidos.
Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
agora, o que já não és...
Labirintos de alma
percorridos sem calma
Como viagens... longas... sem fim!
Selvagem vegetação
aventuras do pé para a mão
emoções arrancadas de mim.
E se a lembrança chega até hoje
é porque a ideia não foge,
do bem que soube viver em sitios assim.
Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
agora, o que já não és...
Aqueles pinheiros altos
os muros verdes, corridos aos saltos
e a sanidade do viver natural.
Cavernas e grutas
inventadas por cabeças brutas,
e era ali que assentávamos o arraial.
Por fim, a alegria vivida
nos mergulhos que ousámos dar
no tanque do campo, de carne despida
não só de roupa, mas do preconceito
do cumprimento dado sem jeito
na hora da despedida.
Espera por mim na nuvem em que me deito,
depois do éter tragado a preceito.
sinto que o tempo me escapa entre os dedos
e ainda não enchi o peito
para enfrentar todos os medos
Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
hoje, o que já não és...
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sábado, 25 de janeiro de 2014
o negro
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
de ouro
O Ti Joaquim e a Tia Rosa, meus queridos Pais, festejaram ontem cinquenta anos de casados... houve festa, risos, abraços, lágrimas, etc... eu também contribuí:
Há sempre um dia
um momento na vida em que
ainda que nos sintamos crianças
acabamos por perceber
que o tempo passa
que nos leva com ele
e nos enche de lembranças…
é então aí,
nesse dia
momento irritante
nesse mesmo instante
De confrontação com o real
que nos assoma o capital
de vivências passadas
e olhamos
e sorrimos
e choramos
e admitimos que
se lembramos
é porque sentimos
porque vivemos
porque vós:
Mãe,
Pai
Vos destes a nós…
Foi há cinquenta anos…
Eu não me lembro.
Foi pelos vistos, em Dezembro…
Que o rapaz pobre,
o Joaquim
Coração nobre, nada ruim
Arrebatou o coração de Rosa
Por versos ou prosa
Lá a levou ao altar
O que não imaginavam aí
Era que de lá até aqui
Nove filhos teriam para criar…
Mãe… Rosa…
Mãe… minha Mãe
Nossa Mãe,
Sabes…
Hoje pus-me a pensar
E quando dei por mim
Era de novo gaiato
Nada pacato
mas voltei a sentir
como se estivesses ali e retrocedêssemos no tempo
que me limpavas a cara suja na circunstância
com as pontas dos dedos untadas em saliva
e caminhávamos ambos ao som do vento
na nossa tosca elegância
íamos ao campo
a masseiras ou ao Suzano
fosse eu ou qualquer mano
tu eras só vaidade
com os filhos em redor
alimentados a amor
criados na verdade
na tolerância
na adversidade
sem abundância…
a não ser de amor e carinho…
Trabalho e pés ao caminho!
Pai… Joaquim…
Pai… meu Pai
Nosso Pai.
Sabes…
Ainda hoje há sentidos que guardo
Dos tempos de outrora
Quando todos nós,
Desde o Berto à Aurora
Te esperávamos na estrada
Ao fim da jornada
E aquele pedaço de broa
que no baú trazias de volta
era por todos disputado
e não era por certo à toa
que o não tinhas devorado
na hora da merenda
e o trazias no baú
como uma prenda.
Sabes Pai…
Por mais distante que pareça
Ainda hoje me lembro
De como punhas na cabeça
A boina, ao mais pequeno!
Mãe… Pai…
Rosa… Joaquim…
Nossos Pais,
Nossos queridos Pais.
Cinquenta anos metidos no bolso…
Cinquenta anos honrados hoje por nós,
Os vossos filhos e, vocês sabem
Não só os que cá estão…
A festa hoje é para vós
Pois assumimos aqui que jamais
Conhecereis a solidão
Cinquenta anos de uma vida que construístes
Que educastes,
Que conduzistes…
E onde nada mais interessa
Para lá da felicidade
Da justiça
Da verdade…
Parabéns Mãe
Parabéns Pai
Parabéns a vocês…
E obrigado!
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
comunidade
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Outrora o povo juntara-se e, em comunidade, construíra infraestruturas para o bem social de todos os seus membros.
Em acréscimo, chegara mesmo a associar-se legalmente de forma cooperativa...
...mas nunca haveria de simpatizar com o termo comunista!!!
Ideias!!!
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Outrora o povo juntara-se e, em comunidade, construíra infraestruturas para o bem social de todos os seus membros.
Em acréscimo, chegara mesmo a associar-se legalmente de forma cooperativa...
...mas nunca haveria de simpatizar com o termo comunista!!!
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sábado, 28 de março de 2009
Dia internacional do Teatro
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Ontem fui ao teatro....
O TPC (teatro popular de Carapeços) representou no auditório da biblioteca municipal de Barcelos a comédia em três actos "Vende-se casa assombrada" ...
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domingo, 19 de outubro de 2008
Pelas tuas mãos...
A Ana escreveu um livro... A Ana é minha sobrinha, filha do meu mano mais velho... Não vou falar sobre o livro porque ainda iniciei a sua leitura nem vou falar da Ana porque quero ser diferente. Normalmente, nestas alturas, toda a gente cai na tentação de puxar para sí um pouco do protagonismo e eu não vou fazer isso. O protagonismo é todo da Ana e ela merece-o... Foi ela que escreveu e foi ela quem teve a capacidade de se aperceber do facto de ter escrito uma obra invulgar e não uns textinhos de adolescente... A crítica correspondente enaltece sobremaneira a obra e eu estou ansioso por lêr...
Então o que estou aqui a fazer?! Estou só a dizer que estou num fantástico estado de contentamento pela situação da miuda porque eu sou destas coisas, de me alegrar com o bem dos outros...
Ah!.. uma palavra de apreço para o meu mano velho... Foi incansável na forma como tratou de tudo para a sua menina e deve-se a ele o sucesso dos meios de lançamento do livro...
"Pelas tuas mãos" de Ana Andrade, publicado pela editora Papiro... toca a comprar!!!
No passado sábado, o JN preencheu a última página com enormíssima ênfase ao assunto... fica aqui o link.
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