Era muito bonita esta Aida do Moinho e não era portanto de admirar o constante correrio da vasta variedade de marmanjos em idade de líbido crescente pelo caminho das várzeas. O facto de terminar em pleno moinho do velho Abel e, por isso, não permitir justificações de passagem aleatória e desinteressada, jamais viria a inibir alguém. Além do mais, a natural beleza do local assente em elevadíssima riqueza bucólica sempre foi mais que suficiente para levar famílias inteiras munidas da cesta do merendelo ou tocadores de concertina nos domingos à tarde. Ali se juntavam cantando, dançando, namoriscando, refrescando os pés no leito do rio que corria molengão ou refastelando-se à sombra depois de mamado o farnel, roendo uma meticulosamente escolhida palha de feno no espaço confinado ao alcance de um braço. Mas isso era aos domingos… Por aquela altura, a presença de Aida era o motivo da passagem, e era fenómeno diário.
domingo, 4 de março de 2012
o caminho das várzeas
Era muito bonita esta Aida do Moinho e não era portanto de admirar o constante correrio da vasta variedade de marmanjos em idade de líbido crescente pelo caminho das várzeas. O facto de terminar em pleno moinho do velho Abel e, por isso, não permitir justificações de passagem aleatória e desinteressada, jamais viria a inibir alguém. Além do mais, a natural beleza do local assente em elevadíssima riqueza bucólica sempre foi mais que suficiente para levar famílias inteiras munidas da cesta do merendelo ou tocadores de concertina nos domingos à tarde. Ali se juntavam cantando, dançando, namoriscando, refrescando os pés no leito do rio que corria molengão ou refastelando-se à sombra depois de mamado o farnel, roendo uma meticulosamente escolhida palha de feno no espaço confinado ao alcance de um braço. Mas isso era aos domingos… Por aquela altura, a presença de Aida era o motivo da passagem, e era fenómeno diário.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
um presente comprido.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010
"aversão inveterada e absoluta"
Alguma vez te sentiste tentado pelo desconhecido? já pois... ias lá agora tu apresentar uma imagem de vida vazia. logo tu, cujo lema próprio sempre se agarrou bem firme ao conceito de nobilitação da vivência pessoal... Tu que te julgas na imensidão não pelo que és mas por com-quem-te-dás... Logo tu que jamais assumirias qualquer desconhecimento conceptual mesmo que em vasta e eclectíssima tertúlia, daquelas para as quais jamais serias convidado mas afirmas participar... Tu... Tu que te atiras de cabeça contra o muro da vergonha que é ser alvo de sorrisos de chacota motivados pela tua omissão de humildade mas não sentes... Aqueles que se riem de ti não o fazem em modo visível, porque são cordiais, cultos, inteligentes e resilientes, e tu, porque não vês, também não sentes... e és feliz!!!
E eu, porque sou reles, apesar de culto... porque sou invejoso, ainda que bom... porque teimo em viver não só a minha vida mas, por vezes ainda mais, a dos outros... Por tudo isto, enervo-me ao perceber que és feliz. Como sou reles, se pudesse, jamais te concederia tal benefício...
José Eduardo
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
fátuo


