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domingo, 25 de abril de 2021

fascismo nunca mais

a cada novo instante
deste belo amanhecer
a cada gota refrescante
da neblina de um dia novo
sente-se a embriaguez de um povo
e a coragem toda a crescer
qual erecçao juvenil
ou pensamento pueril
é o sangue a ferver
de sonhos e ideias mil

ergam-se os punhos ao vento
agora que ficou para trás
o cheiro do velho tempo
a enxofre e aguarrás

e em meio da bebedeira
arranje-se pois maneira
de preservar a memória
e que o tempo da miséria
o mantenha a gente séria
bem fundo nos baús da escória

mantenha-se então a coragem
de manter viva a imagem
daquela miséria que existia
ainda que seja dura lembrança
de quando nem sequer era criança
a nossa democracia

peguemos então pelos cornos
e nunca com panos mornos
o baboso mostrengo da reação
esse que se aventura agora
achando que chegou a hora
de reinar o grande cabrão

lembremos pois toda a gente
que aquilo que queremos à frente
não virá pela mão dos jograis
espezinhemos o doido varrido
e gritemos em tom decidido
FASCISMO NUNCA MAIS!!!

José Eduardo



sexta-feira, 24 de abril de 2020

litania da facharia

à conta de um bicho estranho
que nos prende a todos em casa
todos não, intervenho...
porque alguns estão em brasa
aqueles cujo trabalho
além de duro como o c*
os obriga a fazer, sem engenho
dos conselhos, tábua rasa!

Mas dizia que à conta dele
do bicho que se agarra à pele
sem emprego, sem vintém
erguemos todos a mão
e demos força ao pregão
"vamos todos ficar bem"

Mas dinheiro não traz o vento
e para comer já nem fruta
vai daí começa a luta
que os gajos do parlamento
esses grandes filhos da p*
enquanto eu não tiver pão
não festejam a revolução

Vou mas é ligar ao patrão
que prometeu voltar a chamar
esse sim, não é vilão
não festeja a revolução
e logo que isto acalmar
e se for embora a doença
dos bons se vai lembrar
e me dá a recompensa!

Que saudades que eu tenho
é do tempo de salazar
e agora já não me contenho
vou mas é protestar
nas páginas do facebook
nos comentários dos jornais
revolucionários ninguém os atura
"se quereis acabar com o tuc tuc
então ides sachar milheirais"
olhai mas é pró ventura
não é como esses que tais
é homem sem lacunas
não é nenhum gandaio
como esses, os comunas
que se apressam antes de mais
a ir festejar o 1 de maio!

José Eduardo


segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril, sempre?

nos dias de ontem
era tudo cinzento
e a palavra estava caída
como uma folha sem vida
num dia sem vento

nos dias de ontem
a coragem não vinha
e a boca fechava
e o olhar retornava
em direção à bainha

nos dias de ontem
não morava a esperança
ninguém decidia
e jamais ousaria
iniciar a dança

até que se fez hoje
e um grupo seleto
tocou a reunir
e ousou decidir
debaixo de um teto

e nos dias de hoje
porque alguém assim quis
o povo à rua saiu
levantou a cabeça e sorriu
e chegou-se a mostarda ao nariz

nos dias de hoje
liberto da opressão
o povo dançou
celebrou, gritou
o povo passou a dizer não

até que ainda mais hoje
porque o povo ficou cansado
o dono cá disto tudo
eterno senhor barrigudo
apoderou-se de novo do estado

e agora que é ainda mais hoje
a sociedade, em abdução
já não gosta de estar alerta
senão do vizinho à espreita
o povo... deixou de dizer NÃO!

José Eduardo


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pá...

Tanto Mar by Chico Buarque on Grooveshark



Olá Abril... espera, eu bem sei
que não foi só o povo que te fez
mas por que raio, por que lei
queres abandonar-nos de vez?
deixar-nos entregues à fetidez
desta corja em quem não votei...


Olá Abril,
sim... 
Olá!
reacende a tua chama
ouve o povo que clama
e continua a querer-te por cá
não só hoje, mas amanhã
tu que foste Rei sem Dama
que nos resgataste da lama
fica, porque a hora é má
e ainda que o queiras
apesar das nossas asneiras
não há nada que nos garanta
povo fraco, inveja tanta
que o futuro não seja um
em que o fascismo se torne comum
porque nós que te chamamos
jamais te procuramos
com medo de perder
o pouquíssimo que ganhamos...


José Eduardo


domingo, 25 de abril de 2010

porque é que estás em festa, pá?

Hoje festeja-se a revolução ao contrário. As comemorações da Assembleia da república são feitas por centenas de indivíduos que não conhecem os conceitos de democracia, igualdade e solidariedade.

Há um presidente da república que, depois de uma década como primeiro ministro, traz agora o peito cheio de ar e falsa legitimidade para, despudoradamente, apontar o dedo aos erros por si cometidos como se a outros os imputasse;

Há uma avalanche de deputados conotados com o actual governo que mantêm um estúpido sorriso na cara de início a fim e em nada contribuem para a discussão;

Há um líder do principal partido da oposição que, qual dedicação à causa, vem armado do ataque à constituição da república (essa mesma cuja fundação se está a comemorar) e toda a direita, e uma boa parte da esquerda o aplaude e alude nos comentários finais;

O proletariado, esse, sem qualquer propensão a encetar raciocínio próprio, lá vai sorvendo ideias alheias procurando colar-se àquelas cujo arrebatamento de palmas mais se fez notar...

Que país!!!

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