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quarta-feira, 8 de março de 2023

vai à festa, vai à luta

Mulher preta

Mulher branca

Mulher multicolorida

Arco íris

Alma franca

Sofrimento para uma vida

 

Ao trabalho

de manhã

Já de cria despachada

Pela noite

Em terra chã

Já co'a mesa preparada

 

Sinta eu a tua dor

A ver se ainda sai amor

Mesmo em vasto desassossego

Peito ao filho, ventre ao homem

Que em teu corpo ambos comem

E procuram aconchego

 

Erga-se, pois, em riste

O punho dessa alma triste

E alcance a plenitude

dessa tua fêmea condição

Que muito mais do que prisão

É fonte de toda a virtude

 

Assume-te grande ó mulher

Que a tua valoração

Não é quando homem quer,

É a emancipação

 

Baila quando tu quiseres

Vai à festa, vai à luta

E persegue a felicidade

Ocupa o teu espaço

Sejas casta, sejas puta

Domina a eternidade



domingo, 25 de abril de 2021

fascismo nunca mais

a cada novo instante
deste belo amanhecer
a cada gota refrescante
da neblina de um dia novo
sente-se a embriaguez de um povo
e a coragem toda a crescer
qual erecçao juvenil
ou pensamento pueril
é o sangue a ferver
de sonhos e ideias mil

ergam-se os punhos ao vento
agora que ficou para trás
o cheiro do velho tempo
a enxofre e aguarrás

e em meio da bebedeira
arranje-se pois maneira
de preservar a memória
e que o tempo da miséria
o mantenha a gente séria
bem fundo nos baús da escória

mantenha-se então a coragem
de manter viva a imagem
daquela miséria que existia
ainda que seja dura lembrança
de quando nem sequer era criança
a nossa democracia

peguemos então pelos cornos
e nunca com panos mornos
o baboso mostrengo da reação
esse que se aventura agora
achando que chegou a hora
de reinar o grande cabrão

lembremos pois toda a gente
que aquilo que queremos à frente
não virá pela mão dos jograis
espezinhemos o doido varrido
e gritemos em tom decidido
FASCISMO NUNCA MAIS!!!

José Eduardo



sexta-feira, 2 de abril de 2021

lá vem o charlatão

Lá vem o charlatão
de sorriso proeminente
é de todos o maior cabrão
mas ninguém lho diz pela frente

De tudo ele já viveu
no seu mundo pequeninho
e o que não viveu, inventa
porque a verdade fraudulenta
só ele sabe que a leu
num jornaleco mesquinho

tem ódio ao seu semelhante
a miséria é o que lhe deseja
mas ao rico, seu dono
ao seu poderoso patrono
a bajulação é constante
pois aos seus restos almeja

todos se riem de si
pelas costas, é certo
ninguém ousa ser sincero
com medo do senhor austero
que sabe de tudo por ali
como se estivesse por perto
é o charlatão que lhe conta
esse porco animal de monta
sedento de vingança
de ver sofrer quem se cansa
na luta, na afronta

miserável ser abjeto
que por falta de confrontação
se acha dístico de soneto
pois ninguém lhe diz de perto
que o seu estilo gingão
e o sorriso indiscreto
são desenho direto
dos traços de um cabrão!

pululantemente ridículo
vagueia sorridente
no papel de parvo discípulo
por entre toda aquela gente
os do lado de lá
verdadeiros senhores
mandantes e gestores
que seu nome desconhecem
e os nossos, de cá
mormente trabalhadores
que lutam quando alvorecem
e sorriem, sinceros
por saberem que Roma
não paga a traidores!

José Eduardo

sexta-feira, 24 de abril de 2020

litania da facharia

à conta de um bicho estranho
que nos prende a todos em casa
todos não, intervenho...
porque alguns estão em brasa
aqueles cujo trabalho
além de duro como o c*
os obriga a fazer, sem engenho
dos conselhos, tábua rasa!

Mas dizia que à conta dele
do bicho que se agarra à pele
sem emprego, sem vintém
erguemos todos a mão
e demos força ao pregão
"vamos todos ficar bem"

Mas dinheiro não traz o vento
e para comer já nem fruta
vai daí começa a luta
que os gajos do parlamento
esses grandes filhos da p*
enquanto eu não tiver pão
não festejam a revolução

Vou mas é ligar ao patrão
que prometeu voltar a chamar
esse sim, não é vilão
não festeja a revolução
e logo que isto acalmar
e se for embora a doença
dos bons se vai lembrar
e me dá a recompensa!

Que saudades que eu tenho
é do tempo de salazar
e agora já não me contenho
vou mas é protestar
nas páginas do facebook
nos comentários dos jornais
revolucionários ninguém os atura
"se quereis acabar com o tuc tuc
então ides sachar milheirais"
olhai mas é pró ventura
não é como esses que tais
é homem sem lacunas
não é nenhum gandaio
como esses, os comunas
que se apressam antes de mais
a ir festejar o 1 de maio!

José Eduardo


domingo, 8 de março de 2020

muito homem tem de morrer


Não se enaltece hoje uma qualquer,
não se eleva toda aquela que vier
mas essa que trabalha
a mesma que te arruma a tralha
e que quando te cai o corpo à palha
dá-te a sopa à colher...

Infeliz criatura que serpenteia
porque após a lida vem a ceia
passe ela o dia ocupada
trajando de executiva ou criada
trata tudo sem ganhar mais nada
exigem-lhe ainda um ar de sereia
mas a sua alma cansada
puxa-a com força a sentir-se baleia!

Grite-se pois bem alto à guerreira
fortes vivas à mulher trabalhadora
não a prazo, mas agora
que a arquiteta e a ceifeira
tenham direito à sua hora
que igualdade não é ousadia
felicidade não é heresia
derrube-se a força opressora
que sou eu... és tu... sem fantasia.

Eleva pois a mulher poderosa
tanta vez de franzina aparência
não vás de orquídea, não vás de rosa 🌹
vai de punho erguido em oponência
Contra ti mesmo, se tiver de ser
que para a igualdade ser possivel
muito homem tem de morrer.

José Eduardo

quarta-feira, 21 de março de 2018

abaixo o castelo ao capital

a mágoa de querer e não poder
angústia por de mim não depender
porque tenho de passar por isso,
porque tenho de sofrer?

O desgosto de ver o tempo a passar
e a felicidade que teima em não entrar
quando sorrirão os meus,
quando será que isto vai acabar?

não lamento ter de lutar pela existência
não choro o remeter-me à sobrevivência
mas doi... se doi...
subjugar-me à prepotência!

Acabe-se pois com a diferença
e distruibua-se por igual
decrete-se a abolição da tença
e toque o seu a cada qual

Arre!

Erga-se o trabalhador
erga-se quem produz
grite o explorado produtor
acenda-se pois a luz
do proletário e pensador
e faça-se a revolução...
Obrigue-se o burguês
a dividir o quinhão
acabe-se com aquilo que está mal
deite-se já abaixo
o castelo ao capital!


domingo, 4 de junho de 2017

aglomeração

era um homem pequenino
eterno trabalhador
que para cuidar de seu menino
não ousava sentir dor

era um homem indolente
com enorme coração
explorado por toda a gente
mais ainda pelo patrão

até que reparou
não chegar o seu quinhão
para saciar seu menino
apesar de pequenino
e aí se revoltou
aí sua indignação!

toda a gente o roubava
e ninguém ia para a prisão
toda a gente dele abusava
onde estava a justiça, então?
fosse ele o ladrão
roubasse sequer um pão
para a boca do seu menino
para pagar o seu ensino
e de imediato lhe algemavam a mão...

foi então que conheceu
outros homens pequeninos
e logo percebeu
que muitos como ele
os que sofriam na pele
as maldades do patrão
juntos entoariam
um grande e sonoro NÃO!

juntaram-se revoltados
diziam-se esfomeados
apesar de trabalharem
sol a sol, sem interrupção
seus meninos sem escola
que fazer? pedir esmola?
a quem? ao patrão?

resolveram então
unir-se em corporação
lutar pelo interesse comum
e continuar a ser só um
mas agora com toda a força
com enorme determinação
exigir que o seu trabalho
compensasse toda a mossa.
ou então...
ou então...
ou então a revolução!

domingo, 7 de maio de 2017

Mãe

É quando o mundo festeja
Que eu sinto e me aleija
A ausência de minha mãe...
É quando a alegria é imensa
Que a minha alma pensa
Na sorte que outros têm...
O mundo disse-me não
Ouvi bem alto o grito do faisão
E julguei deixar de ser eu...
Mas a memória me conforta
E a saudade menos me importa
Foi o mundo quem a perdeu...
Não eu... Não eu...

j.e...



domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sedição


chovem canivetes
e eu sem guarda chuva
assentam como uma luva
no meu corpo nu
os golpes que me remetes
mas quem os merecia eras tu

caem sobre mim
carradas de granizo
no meu corpo liso
que se oferece ao sol
mas é dureza assim
aguentar a chuva mole

Atiram-me à cara
palavras de insatisfação
há quem me levante a mão
no intuito de me bater
mas o cajado, a vara
para ti hão-de ser

aceito para já
o engano de julgamento
na língua vou tendo tento
porque sei que há-de chegar
o dia em que virá
a verdade, ao decima, a borbulhar!

Esconde-te lá ó cabrão
que os cornos te hão-de denunciar
por mais que tentes escapar
da justiça das mãos da gente
é que um dia eles virão
e serás arrastado ó delinquente!

provarás do teu próprio veneno
que não mata mas aleija
serás o moribundo que braceja
gritando por misericórdia
mas o eco será pequeno
e morrerás envolto de mixórdia...

j.e...

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril, sempre?

nos dias de ontem
era tudo cinzento
e a palavra estava caída
como uma folha sem vida
num dia sem vento

nos dias de ontem
a coragem não vinha
e a boca fechava
e o olhar retornava
em direção à bainha

nos dias de ontem
não morava a esperança
ninguém decidia
e jamais ousaria
iniciar a dança

até que se fez hoje
e um grupo seleto
tocou a reunir
e ousou decidir
debaixo de um teto

e nos dias de hoje
porque alguém assim quis
o povo à rua saiu
levantou a cabeça e sorriu
e chegou-se a mostarda ao nariz

nos dias de hoje
liberto da opressão
o povo dançou
celebrou, gritou
o povo passou a dizer não

até que ainda mais hoje
porque o povo ficou cansado
o dono cá disto tudo
eterno senhor barrigudo
apoderou-se de novo do estado

e agora que é ainda mais hoje
a sociedade, em abdução
já não gosta de estar alerta
senão do vizinho à espreita
o povo... deixou de dizer NÃO!

José Eduardo


sábado, 5 de março de 2016

de passagem

...do Chico, o Buarque: Eu te amo

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Conta-me agora como hei-de partir;
Se ao te conhecer, desatei a sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei os meus navios
Diz-me para onde é que ainda posso ir;
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz-me com que pernas devo seguir;
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu;
Como, se na desordem do armário embutido
O meu casaco enlaça o teu vestido
E o meu sapato ainda pisa no teu;
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair;
Não, acho que te estás a fazer de tonta
Dei-te os meus olhos para tomares conta
Agora conta como hei de partir...


quarta-feira, 28 de maio de 2014

botão de gente



querias crescer
agir como gente grande
reger o teu mundo
e com um não rotundo
rejeitar todo o ser
que tua dita desmande

queres ser alguém

que se mostre imponente
e do alto de um trono
sem pai nem dono
jamais dizer amén
a um alguém indecente

porventura vais ser

tudo isso que anseias
mas, nesse mesmo dia
verás que tudo o que havia
o que de mau julgavas ter
ainda que o descreias
era mesmo o sustento
da tua imensa alegria...

por isso esquece

não invejes quem cresce
fica aqui connosco
neste momento tosco
de saúde e alegria
de convivência sadia
sorriso cúmplice partilhado com o pai
respeitinho e amor para com a mãe
e tudo tudo girará á tua volta
no fundamento de uma gargalhada solta
assim
no conceito próprio que criamos
do tanto que nos amamos
e no sorriso que não prendemos
quando, no pensamento
amanhã nos vemos!


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

em logro


Agora que me largaste a mão
e deste a liberdade de escolher
sei que nada conheço
além de ti
de mim
se diferentes somos de um só
porque em ti me confundo
e na tua vida eu moro
e nada mais vejo para além do vale do teu peito
e nada mais me consome de outro jeito
que a ideia de beber em ti
e de como te dás a mim
por pena
por amor
por vício
ardor
não sei
mas sei que dependo de ti
e sem ti
sem te ter encostada a mim
carne com carne
pele com pele
almas fundidas
tudo é gasoso
efémero
ilusório
porque a cobardia me impediu
de dar o passo em frente
de ser mais diligente
e partir em busca do que sempre te pedi
tu sabias que era assim
que não saberia o caminho para mais além
mas não mo dizias assim
não te atrevias a quebrar a ilusão
de que o barco navegava
não ao sabor do teu vento
mas frutos das minhas investidas ao leme
e tu sabias
sabias que não era eu que entrava em ti
na hora em que nos atravessávamos de paixão
eras tu quem me abraçava
de uma forma diferente é certo
mas fazia-lo porque sabias
tu sabias
sabias que me perderia na hora em que te afastasses
e por intuito de lição
por causa da minha irritação
tu largaste o meu corpo
deixaste a minha mão
e disseste-me: vai!
e eu não fui
não sabia para onde ir
e eu não fui porque me custava decidir
e eu não fui
fiquei ali
olhando-te
olhando-me
fitando a triste figura que teimava representar
e deixei-me estar
fiz de conta que não queria
mas eras tu quem sabia
a razão de eu ficar!

sábado, 25 de janeiro de 2014

o negro

Já não te livras da fama
do cheiro a musgo e da lama,
e do frio que punhas no respirar.
Lembra-me bem o encanto
e a densidade do manto
de neblina que espalhavas no ar.
Havia namoros de verão
pela frescura do chão
e da leveza que emprestaste aos sentidos.
Testemunhaste promessas
beijos trocados sem pressas
e guardaste sussurros julgados perdidos.

Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
agora, o que já não és...

Labirintos de alma
percorridos sem calma
Como viagens... longas... sem fim!
Selvagem vegetação
aventuras do pé para a mão
emoções arrancadas de mim.
E se a lembrança chega até hoje
é porque a ideia não foge,
do bem que soube viver em sitios assim.

Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
agora, o que já não és...

Aqueles pinheiros altos
os muros verdes, corridos aos saltos
e a sanidade do viver natural.
Cavernas e grutas
inventadas por cabeças brutas,
e era ali que assentávamos o arraial.

Por fim, a alegria vivida
nos mergulhos que ousámos dar
no tanque do campo, de carne despida
não só de roupa, mas do preconceito
do cumprimento dado sem jeito
na hora da despedida.

Espera por mim na nuvem em que me deito,
depois do éter tragado a preceito.
sinto que o tempo me escapa entre os dedos
e ainda não enchi o peito
para enfrentar todos os medos

Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
hoje, o que já não és...


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

the non happy ending love story



"There's no more life,
there's not"
  
"There's no more life,
there's not"
  
"There's no more rain,
there's not"
  
"There's no more breeze,
there's not..."
  
The sky is crying for Olimpia.
  
And so am I.
  
"There's no more crying,
there's not"
  
"There's no more fear,
there's not..."
  
What have I done?
What have I done?
  
"Take me there"
  
"To where you are"
  
"Take me there"
  
"Take me there"
  
"To where you are"
  
"Take me there."

sábado, 7 de dezembro de 2013

sentir


dizes que o poeta
pela sua escrita
é um sofredor
outros que o poeta,
sentença maldita
é um fingidor.
em que ficamos então,
se esta comandita
tem discurso agressor?
Achas que o profeta
pela sua dita
é um inventor?
e o atleta
pela sua fita
um enganador?
será na circunstância
por erro de abundância
um individuo abusador!
Mas não o poeta
que não é profeta
nem o artista.
já o absolutista
por inerência
e incongruência
pode ser condenado,
morte ao culpado
por enganar o povo
sem trazer nada de novo
na melhor ocasião.
mas nunca o Poeta
que vive da escrita
não pelo lucro da dita
mas porque é ela o seu pão!

José Eduardo

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

logo que passe a alucinação

Logo que Passe a Monção by Rui Veloso on Grooveshark

Comprei um barquinho para me levar
o casco quebrou
e já não me levou
e não encontrei com que remediar.
Pedi a uma gaivota que me mostrasse  mar
mas ela exigia
uma certa quantia
coisa que eu não podia pagar.
Tentei encontrar outra solução
e lancei-me a nado
desde a foz do Sado
a corrente me arrastou de volta ao pontão.
Marquei a passagem de avião ao Brasil
mas as nuvens do céu
escuras como breu
taparam a vista de forma nada subtil,
e eu dei por mim a distâncias mil...
Para regressar fui pedinte na praça
arranjei camisa
furada da traça
e calça de ganga lisa
presa por uma baraça
abdiquei de comer
mas não sem beber
mas a saudade não deixa esquecer.
Num velho navio arranjei trabalho
numa cozinha a tresandar a alho
dois meses no mar
como um bandalho
barba crescida
ambição reprimida.
Chegado à terra
olhei o oceano
pois tinha pavor a este povo ufano
lá para o Restelo
cruzei-me com um velho
nada camelo
a coçar o guedelho
Contei-lhe esta minha ambição
e o raio do velho chamou-me cabrão
- Cabrão o quê? - retorqui eu...
- Então não tiveste o mar todo na mão
vindo de barco até à nação?
Ah velho vadio
personagem sombrio
que me vens tu ensinar?
tu que paraste em frente ao rio
nada percebes do mar!!!

José Eduardo

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

poema às três pancadas

farto de voar by B Fachada on Grooveshark
.
Caí...
e no momento seguinte me levantei
ergui a cabeça
olhei em redor
com pressa
e logo logo recomecei

Caí...
e assim que caí em nada mais pensei senão na vergonha que iria sentir.
ergui a cabeça
olhei em redor
com pressa
não fosse alguém por ali notar que a minha vaidade se estava a partir

Caí...
e nesse momento
no exato em que me precipitei ao chão
duro como pedra
era pedra
sem que tivesse tempo
de amparar com a mão
pensei no agora
em como estaria a mentir
a dizer que logo havia de me erguer
olhar em redor
com pressa
e o medo que alguém estivesse a ver

Caí...
e toda a gente viu
e da minha triste figura
pisado
borrado
toda a gente riu, e eu
zangado
amuado
sisudo
beiçudo
fugi...
e fui chorar para longe dali!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

arise

Ballade pour Adeline (Piano Solo) by Various on Grooveshark
Sê diferente...
não precisas ser belo
ou forte
apenas genuino,
fintar o destino
e a morte.

Sê único
distingue-te dos normais
sê louco
sê de tudo um pouco
vai mais adiante
coleciona "ais"!

Vive
sorri
chora...
demora...
e quando chegar a hora
saberás que foi escolha tua
essa vida nua
sem enganos
momentos profanos,
e a felicidade
nunca eterna
mas sempre serena
de genuina...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Para Valentina

Oblivion by Chris Botti featuring Caroline Campbell on Grooveshark

Parte de mim
agora solta
com vida
em redor deste meu mundo
à volta
a chama acendida

chama essa que alegra
o futuro dos meus dias
outrora cinzentos
agora claros
de alegrias
ideias e atos
nunca mais alvacentos

Pequeno ser
meu grande bem
personificado
meu novo credo
que me prende e tem
de novo
apaixonado

e é esse negro olhar
belo, inocente e pequenino
dedicado e forte
a perscrutar
que me arrebatou coração e tino
novamente menino
e o prazer de te olhar!

Parte de mim
mas não apenas e só...
somos assim
agora
força nascida de quem se adora
de quem se ama de outra forma
sem regra nem dó!