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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

little lost boat

O Barquinho by Nara Leão on Grooveshark

alí parado, para nada! é motivo de foto, com certeza mas... o que ele queria era subir rio acima como os rabelos que tanto inveja. Ah se ele pudesse!!! Cada metro de maré seria como leito de cama profundamente perscrutado em largo sono de sonhos leves... tão leves como a própria leveza do seu correr! Ah se Torga soubesse o quanto o leu e, por ter lido, o quanto sonhou esses sonhos atrás e se achou para lá, nas terras de Miguel, avistado da galafura e escrito em poemas que perdurariam para a eternidade. mas não! tudo são sonhos! nada mais...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

logo que passe a alucinação

Logo que Passe a Monção by Rui Veloso on Grooveshark

Comprei um barquinho para me levar
o casco quebrou
e já não me levou
e não encontrei com que remediar.
Pedi a uma gaivota que me mostrasse  mar
mas ela exigia
uma certa quantia
coisa que eu não podia pagar.
Tentei encontrar outra solução
e lancei-me a nado
desde a foz do Sado
a corrente me arrastou de volta ao pontão.
Marquei a passagem de avião ao Brasil
mas as nuvens do céu
escuras como breu
taparam a vista de forma nada subtil,
e eu dei por mim a distâncias mil...
Para regressar fui pedinte na praça
arranjei camisa
furada da traça
e calça de ganga lisa
presa por uma baraça
abdiquei de comer
mas não sem beber
mas a saudade não deixa esquecer.
Num velho navio arranjei trabalho
numa cozinha a tresandar a alho
dois meses no mar
como um bandalho
barba crescida
ambição reprimida.
Chegado à terra
olhei o oceano
pois tinha pavor a este povo ufano
lá para o Restelo
cruzei-me com um velho
nada camelo
a coçar o guedelho
Contei-lhe esta minha ambição
e o raio do velho chamou-me cabrão
- Cabrão o quê? - retorqui eu...
- Então não tiveste o mar todo na mão
vindo de barco até à nação?
Ah velho vadio
personagem sombrio
que me vens tu ensinar?
tu que paraste em frente ao rio
nada percebes do mar!!!

José Eduardo

domingo, 11 de abril de 2010

um bote sem dono

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Houve um país rico em gente valente que se aventurou ao mar... Havia cobardes também, cujo pé num bote jamais se atreveria imaginar...
Os valentes correram mundo e conquistaram terras de gente rica e bela. Gente que jamais idealizara a maldade e, gentilmente, obsequiava o forasteiro com a partilha de suas riquezas.
O mar é que não perdoava, amabilidade e simpatia jamais integraram seu léxico, além de que laurear não era costume seu. Volta e meia lá abria as enormes goelas para engolir uns quantos mais e dava ideia de que quanto maior a grandeza de suas vítimas mais satisfeito ele ficava...
Foi assim que se fez a história de um miserável país: Os valentes regressaram poucos, ricos e amedrontados. Trouxeram apenas riqueza e nunca se haveriam de lembrar em imitar a mentalidade do povo é que os agraciou. Jamais pensariam em aprender algo com gente tão estranha.
Assim, a riqueza que apenas servia para gastar, obviamente não se eternizou e, os valentes ficaram amedrontados, os cobardes ficaram convencidos e a nação outrora forte tornou-se apática e resignada.
Há ainda, muito de vez em quando, quem ouse contar: "lembras-te da nossa grandeza?" - e logo todos ficam de barriga em riste e bigode curvado para cima em sinal de satisfação...
...o resto é o que todos sabem!!!
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José Eduardo
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