esperar os pés molharem-se lá ao fundo da torna, por entre o milho, e gritar bem alto à enxada que se apresse a virar o talhadoiro.
hoje quero transpirar agarrado ao arado preso pelo estímulo da visão futura de uma simples lavandisca que perscruta a terra revelada.
hoje quero adormecer ao som do piar da coruja ali bem na bouça do branca e voltar a acreditar tratar-se de uma raposa que ri de contentamento sobre mais uma vítima da sua malvadez...
. . retorno à melancolia doce melancolia num café sem companhia, um lápis afiado na mão, ao fim de um dia que até podia ser deveras agitado... o ocaso no horizonte tantas e tantas ideias a monte, a pressa de quem passa e esta calma que me abraça...
Houve um país rico em gente valente que se aventurou ao mar... Havia cobardes também, cujo pé num bote jamais se atreveria imaginar...
Os valentes correram mundo e conquistaram terras de gente rica e bela. Gente que jamais idealizara a maldade e, gentilmente, obsequiava o forasteiro com a partilha de suas riquezas.
O mar é que não perdoava, amabilidade e simpatia jamais integraram seu léxico, além de que laurear não era costume seu. Volta e meia lá abria as enormes goelas para engolir uns quantos mais e dava ideia de que quanto maior a grandeza de suas vítimas mais satisfeito ele ficava...
Foi assim que se fez a história de um miserável país: Os valentes regressaram poucos, ricos e amedrontados. Trouxeram apenas riqueza e nunca se haveriam de lembrar em imitar a mentalidade do povo é que os agraciou. Jamais pensariam em aprender algo com gente tão estranha.
Assim, a riqueza que apenas servia para gastar, obviamente não se eternizou e, os valentes ficaram amedrontados, os cobardes ficaram convencidos e a nação outrora forte tornou-se apática e resignada.
Há ainda, muito de vez em quando, quem ouse contar: "lembras-te da nossa grandeza?" - e logo todos ficam de barriga em riste e bigode curvado para cima em sinal de satisfação...
A frase comum diz que há imagens que valem mil palavras... Eu digo que é preciso ir atrás delas! Numa época em que o estado depressivo se vai apoderando de uma vasta porção populacional, além daqueles em que é voluntário, há casos que pecam por défice de atitude e reacção. Cá por mim, opto por procurar aquilo que tem algo para me dar, imagens como esta que dispensam descrições e que, para além disso, vão constituindo uma enorme fonte de palavras e sentimentos...
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Quarta feira, ao fim da tarde - Praia da Agudela, Lavra, Matosinhos...
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Nem imaginam as histórias que este "trepo" trouxe de alto mar...
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trepo(ê)
s. m.
Minho Parte da árvore que fica dentro da terra quando cortada rente ao chão.
Sentado na esplanada à beira mar tento enxergar um pouco do sol que, apesar de ainda prometer uma boa meia hora de sorrisos, se vai escondendo por detrás da lugubridade de uma enorme nuvem negra que, deixando-se levar por todo o seu egoísmo, o vai escondendo da cobiça alheia.
Na esplanada, apesar do vento frio e desconfortável, um par de amantes, namorados ou não, vai partilhando sorrisinhos apaixonados e comentando trivialidades que se lhes deparam na paisagem.
Naquele madeiro de estrutura apaixonante que se situa na imaginária linha de separação entre praia e povo desfilam pessoas de todas as aparências e feitios que insistem em espalhar sua vaidade por um espaço destinado ao lazer e bem estar.
Cá dentro, no aconchego destas paredes de vidro que filtram o vento e deixam passar o calor, um casal de meia idade partilha um lanche de ocasião sem que qualquer assunto ou visão lhes mereça o mínimo comentário que possa interromper o manjar inicialmente imaginado como de circunstância. Tenho a sensação de ter visto muitos casamentos acabarem assim ou até mesmo por serem assim.
Ao fundo da sala, um jovem solitário toma um café a pretexto de poder usufruir da Internet à borla que o bar concede aos clientes. Podia-o assemelhar ao meu comportamento mas não... Eu venho em busca da criatividade e do sossego, venho à fonte de palavras, de imagens, à procura do bem estar que fomenta a eloquência... Ele não... é mesmo só pela Internet à borla!!!
As conversas dos funcionários, tantos quantos os clientes, são bem audíveis. Consigo interpretar claramente aquilo que dizem, talvez porque o meu impulso de ingerência me impele para tal... Percebo que um deles está agastado hoje. Ao que me parece, convidou um outro para beber um café após o trabalho mas a proposta não teve retorno positivo... Sentencio logo a sua condição de homossexual e logo me envergonho de dar importância ao assunto.
Talvez por isso, volto a dirigir o meu olhar e atenção para o exterior e, surpresa, o sol já se pôs sem que tenha dado por isso. Olho para a câmara e sinto que ela me fita com ar de revolta e reprovação! Há um enorme barco ao largo cuja totalidade das formas tenho dificuldade em enxergar mas nada que não me impeça de, ao cabo de um momento, perceber que espera pacientemente mas com ar de desagrado, que um pequenino da sua espécie se digne orientá-lo para a barra de acesso ao porto.
Volto a olhar para dentro... espero que os olhos se acostumem à luz que entretanto se acendeu e vou reparando numa bela jogada de golo que a sportv reporta de um qualquer jogo da união de Leiria.
A chávena do café está fria e exala um odor a café frio que em nada se compara ao suave aroma da torrefacção quando quente. Peço outro para não assolar o momento e de imediato o som do moinho do pequeno grão, apesar de incaracterístico, me alegra a níveis que me surpreendem.
Acho que me vou embora... O laranja do horizonte cativa-me o olhar apesar da ventania que, não sentindo na pele, consigo perceber e decido com altivez que tal não encaixa neste cenário.
Há uma bela jovem em trajes desportivos que se aproxima ao longe e faz com que me demore no acto de abandonar o local... Já passou... vou embora.
Noto que alguém me fita como eu mesmo tanto gosto de fazer... Imagino essa pessoa fazendo uma má interpretação do meu carácter, imaginando-me depressivo, sozinho por imposição... mas não!!! é por opção... Vou embora!
não me tentem convencer de que as dificuldades que se me deparam constituem teste ao meu carácter, não me impinjam um destino, não me pintem cenários de pré-concepção!!!
Eu escolho o meu caminho e, em função de tal, gozo ou sofro o seu resultado!!! É também por essa possibilidade que me guio e dificulto, ou não, o meu trajecto... Sou eu quem tal ordena, cada um que escolha entender assim ou se deixe levar!!!
O inverno estaria para chegar... As primeiras folhas caídas anunciavam isso mesmo. Essas folhas que frequentemente aproveitavam o vento para se elevarem e voar de chão em chão buscando o melhor local para murchar e morrer.
Apesar de vibrar com aquele colorido energicamente esvoaçante e com as figuras patéticas que os pombos faziam quando se deparavam com elas, as folhas...
Apesar de adorar caminhar pela paisagem que mantinha o colorido do verão mas cujo clima se havia alterado e não mantinha as temperaturas propícias à languidez.
Apesar me sentir feliz e achar engraçado como a força do vento me permitia inclinar o corpo para lá do que normalmente permitem as leis da física.
Apesar de inúmeros outros aspectos, sempre se apoderava de mim este assomo de tristeza. Interpretava aquilo, a queda das folhas e consequente definhamento até à morte, como uma representação da fatalidade... Hoje, sem crenças ou falsas esperanças, aprendí a viver com a realidade!!!