Já não te livras da fama
do cheiro a musgo e da lama,
e do frio que punhas no respirar.
Lembra-me bem o encanto
e a densidade do manto
de neblina que espalhavas no ar.
Havia namoros de verão
pela frescura do chão
e da leveza que emprestaste aos sentidos.
Testemunhaste promessas
beijos trocados sem pressas
e guardaste sussurros julgados perdidos.
Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
agora, o que já não és...
Labirintos de alma
percorridos sem calma
Como viagens... longas... sem fim!
Selvagem vegetação
aventuras do pé para a mão
emoções arrancadas de mim.
E se a lembrança chega até hoje
é porque a ideia não foge,
do bem que soube viver em sitios assim.
Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
agora, o que já não és...
Aqueles pinheiros altos
os muros verdes, corridos aos saltos
e a sanidade do viver natural.
Cavernas e grutas
inventadas por cabeças brutas,
e era ali que assentávamos o arraial.
Por fim, a alegria vivida
nos mergulhos que ousámos dar
no tanque do campo, de carne despida
não só de roupa, mas do preconceito
do cumprimento dado sem jeito
na hora da despedida.
Espera por mim na nuvem em que me deito,
depois do éter tragado a preceito.
sinto que o tempo me escapa entre os dedos
e ainda não enchi o peito
para enfrentar todos os medos
Quero sentir
de novo, o feno nos pés...
Quero viver
hoje, o que já não és...
sábado, 25 de janeiro de 2014
o negro
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
river
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"River", de Joni Mitchell, tocado e cantado por 14 cantoras portuguesas
e já agora se, modéstia à parte, quizerem uma boa tradução, aqui vai:
"River", de Joni Mitchell, tocado e cantado por 14 cantoras portuguesas
e já agora se, modéstia à parte, quizerem uma boa tradução, aqui vai:
Vai chegando o Natal,
E vejo-os cortar as árvores.
Assentar as renas
e cantar canções de alegria e paz...
Ah, tivesse eu um rio onde patinar para longe daqui.
Não neva por cá
Tudo se mantém verde.
eu vou amealhar algum
e pôr-me a andar daqui para fora.
Ah,tivesse eu um rio onde patinar para longe daqui.
Um rio tão comprido,
onde meus pés aprendessem a voar.
Ah, tivesse eu um rio onde patinar para longe daqui
porque fiz meu amor chorar.
deste tudo por tudo para me ajudar
facilitaste-me a vida ao máximo,
amaste-me tanto,
até me tremerem os joelhos.
Ah, tivesse eu um rio por onde desaparecer
Mas eu sou dificil de aguentar
egoísta e depressiva.
e arranjei forma de perder o maior amor
Que um dia pude gozar.
Ah,tivesse eu um rio onde patinar para longe daqui.
Um rio tão comprido,
onde meus pés aprendessem a voar.
Ah, tivesse eu um rio onde patinar para longe daqui
porque fiz meu amor me abandonasse.
Vai chegando o Natal,
E vejo-os cortar as árvores.
Assentar as renas
e cantar canções de alegria e paz...
Ah, tivesse eu um rio onde patinar para longe daqui.
e depois, porque a versão da Márcia e Luisa Sobral tem um sentimento peculiar...
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
lisitsa
Valentina Lisitsa é uma pianista clássica Ucraniana, nascida em Kiev em 1973. Valentina vive actualmente na Carolina do Norte, EUA e é casada com Alexei Kuznetsoff, que é também pianista e seu parceiro em vários duetos.
Este é o parágrafo de entrada na página da wikipédia que lhe é dedicada. Muito pouco para tanto talento. Não vou acrescentar nada, ou melhor, acrescento tudo com este recital de quase quatro horas cuja performance foi oferecida aos poucos presentes no passado mês de Novembro, em Colónia, Alemanha.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
little lost boat
alí parado, para nada! é motivo de foto, com certeza mas... o que ele queria era subir rio acima como os rabelos que tanto inveja. Ah se ele pudesse!!! Cada metro de maré seria como leito de cama profundamente perscrutado em largo sono de sonhos leves... tão leves como a própria leveza do seu correr! Ah se Torga soubesse o quanto o leu e, por ter lido, o quanto sonhou esses sonhos atrás e se achou para lá, nas terras de Miguel, avistado da galafura e escrito em poemas que perdurariam para a eternidade. mas não! tudo são sonhos! nada mais...
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Miguel Torga
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
the non happy ending love story
"There's no more life,
there's not"
"There's no more life,
there's not"
"There's no more rain,
there's not"
"There's no more breeze,
there's not..."
The sky is crying for Olimpia.
And so am I.
"There's no more crying,
there's not"
"There's no more fear,
there's not..."
What have I done?
What have I done?
"Take me there"
"To where you are"
"Take me there"
"Take me there"
"To where you are"
"Take me there."
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
ignoto
A pouco e pouco tudo era luz... e no estímulo mais luz se fazia na minha ideia! A coisa corria bem e eu gostava! Arrotava e alguém ria... sentenciava e alguém pontuava a frase com um ponto de exclamação e, mais ainda, alguém exclamava na circunstância da reação! A confiança aumentava. As palmadas nas costas eram constantes e eu já nem as identificava.
Por fim tudo era luz... e na imensidão de clareza havia uma que faltava... a minha! Era a luz dos outros que me cegava e iluminava o meu espaço e me provocava esse autismo que nos prepotentes se aconchega.
No fim lá estava a luz... tudo continuava iluminado mas o foco não era eu! Eram os que me circundavam que tinham ganhado luz própria e a que me inundava mais não era do que a difusa que se lhes sobra.
E eu continuava àquela luz... no meio do caminho... preocupado em agradar sem ver a quem e, de repente, não agradava ninguém!
Fiquei por lá, à luz, perdido no imenso clarão... Um completo ser, riquíssimo na minha forma de ver, mas anónimo, na multidão!
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sábado, 7 de dezembro de 2013
sentir
dizes que o poeta
pela sua escrita
é um sofredor
outros que o poeta,
sentença maldita
é um fingidor.
em que ficamos então,
se esta comandita
tem discurso agressor?
Achas que o profeta
pela sua dita
é um inventor?
e o atleta
pela sua fita
um enganador?
será na circunstância
por erro de abundância
um individuo abusador!
Mas não o poeta
que não é profeta
nem o artista.
já o absolutista
por inerência
e incongruência
pode ser condenado,
morte ao culpado
por enganar o povo
sem trazer nada de novo
na melhor ocasião.
mas nunca o Poeta
que vive da escrita
não pelo lucro da dita
mas porque é ela o seu pão!
José Eduardo
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
baby, it's cold outside
A minha preferida é com estes dois...
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