quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

do lado "não"





Lembra-te que a vida não é sempre a correr,
lento ou devagar,
não é sempre a andar
não é sempre acção...

E então...
Podias parar, olhar, apreciar.
Porque não?!

Olha, fica aí... sim, aí...
vai ensaiando o observar da acção alheia,
deixa-te estar, mantém-te fora desta teia,
e guarda este tempo para ti.

...e agora?
dizes-me o que viste?
o que sentiste?
Como é estar de fora?

Sim, chega a ter a sua piada.
Ainda que monótono e frio
é como ficar à margem do rio,
ali, a olhar... mais nada.

Agora volta, junta-te à corrente.
Deixa-te inundar pelo mar de gente.
Vem, de novo, pertencer à acção...
Jamais esquecerás que estiveste outrora, ali, do lado "não"
lembrar-te-ás que é lá que se sente,
e não cá, a SOLIDÃO.

José Eduardo

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

o fim do "preto no branco"












O programa semanal da Antena 2 que se propunha a funcionar como "magazine" da música clássica e, em abono da verdade, o conseguiu plenamente, chegou agora ao fim... João Almeida apresentou-o assim no passado sábado, dia de Natal, o último preto no branco...
O programa ia para o ar aos sábados de manhã e funcionava como uma animada conversa entre João Almeida, Ana Rocha e Henrique Silveira em volta dos espetáculos de ópera e/ou música de câmara que aconteciam por esse país fora. Confesso que, numa primeira impressão, achava o seguimento um tanto elitista pela concentração  de opiniões nos espetáculos que se desenrolavam em Lisboa mas foi uma ideia que se desvaneceu com o tempo por constatação de que é sobretudo em Lisboa que eles têm efeito, infelizmente.
Seja como for, o programa fazia-me o favor de contextualizar o pensamento banal com o conceito da música erudita, fosse nas particularidades de intérpretes e autores, fosse na explicação do desenrolar da obra em si.
Resta-me esperar que algo do género tenha continuação na rádio pública... a curto prazo!!!

A última emissão do programa AQUI...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

egos tamanhos



Observo a maré e reparo que se encontra agora no ponto alto da sua amplitude. Mais além, um bidão vermelho que bóia ao som das ondas atreve-se a distrair-me o olhar mas o avanço das águas do mar depressa volta a resgatar a minha atenção. Pode parecer-te ridículo e sem o mínimo de sentido mas… o cenário remete-me para um sentimento familiar. Para o tempo em que te empenhavas na auto evidenciação e de como isso resultava num rodear da minha realidade com a tua presença activa. Sim… tu eras hostil, e de tanto o ser já não o fazias com maldade, era essa a tua natureza… jamais conceberias a possibilidade de permanecer anónima na acção do texto das nossas vidas e eu… eu era aquele mísero rochedo que daqui se vê. Apesar de belo, cheio de formas sugestivas e pleno de curiosos minerais que normalmente suscitaria a adoração de outros e representaria o suporte à sua vaidade, era agora envolvido e ofuscado pelas ondas agitadas de uma vida alheia.

Sabes, o que mais me chateia é que, de facto, tudo isto passava ao lado da capacidade de observação das outras vidas, mas eu não sabia disso!

Vejo ali um pescador… espera… um reformado e uma senhora deprimida situam-se mais acima. Noto que todos eles se dão conta da realidade. Todos observam a obsessão invasora do mar e a resultante interferência com a identidade da pequena grande pedra. Todos sabem menos ele, o rochedo, porque se revela incapaz de olhar para fora do turbilhão e por isso, o seu estado é tal que se aproxima vertiginosamente da situação de fastígio à sua condição de lástima.

E eu era este rochedo… Belo, cheio, rico e abrangente e, no entanto, ofuscado por ti e vulnerável à tua capacidade de transformar a mais trivial das situações que vivesses num acontecimento inédito para mim. A culpa, sendo tua, não seguia escrupulosamente a condição de exclusividade. A verdade é que jamais me incitei à coragem de te estender ao comprido sobre a passadeira da realidade, dava trabalho e era indubitável o consequente desenrolar da acção para o plano dramático e apocalíptico uma vez mais servido em doses generosas de potencialização resultantes da tua inevitabilidade egocêntrica.

Esse tempo é passado… Já não sou o mísero rochedo banhado pelas tuas marés. Agora sou mais eu… sou um molhe imponente, pleno de personalidade e alvo de admiração alheia perceptível à minha vaidade. Tu continuas igual mas… as escalas são incomparáveis!


José Eduardo


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

banda sonora d'época


Por estes dias, em que os cachecóis se enroscam sobre os ombros, que o hálito condensa bem perto do rosto e cujas noites são mais amarelas e cintilantes, Oscar Peterson vai saindo da prateleira e transforma-se na banda sonora do conforto cá de casa!!! Lâmpadas a média luz... odor a mel e canela... calor artificial e... muito bom som:

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

um presente comprido.



Nada disso... não me digas que tenho uma vida inteira pelas costas! Isso implicaria a minha proximidade com o fim.
Não, não quero isso!!! tenho tempo, muito tempo ainda... Eu sei que o mais provavel é não ter grande futuro mas, tenho algum, e esse... há-de ser como eu quizer!
Aquilo que tive, o grande passado (como tu lhe chamas), é que faz de mim o que sou... sou alguem que, não tendo um grande futuro, tem um enorme presente...

...e quero prolongá-lo ao máximo!!!


José Eduardo...