nos dias de ontem
era tudo cinzento
e a palavra estava caída
como uma folha sem vida
num dia sem vento
nos dias de ontem
a coragem não vinha
e a boca fechava
e o olhar retornava
em direção à bainha
nos dias de ontem
não morava a esperança
ninguém decidia
e jamais ousaria
iniciar a dança
até que se fez hoje
e um grupo seleto
tocou a reunir
e ousou decidir
debaixo de um teto
e nos dias de hoje
porque alguém assim quis
o povo à rua saiu
levantou a cabeça e sorriu
e chegou-se a mostarda ao nariz
nos dias de hoje
liberto da opressão
o povo dançou
celebrou, gritou
o povo passou a dizer não
até que ainda mais hoje
porque o povo ficou cansado
o dono cá disto tudo
eterno senhor barrigudo
apoderou-se de novo do estado
e agora que é ainda mais hoje
a sociedade, em abdução
já não gosta de estar alerta
senão do vizinho à espreita
o povo... deixou de dizer NÃO!
José Eduardo
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