sábado, 26 de dezembro de 2009

De volta às origens

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Algo fazia, na época, com que detestasse aquele modo de vida, a sujeição à inclemência do tempo. Não tanto pela temperatura vigorosa de verão mas, sobretudo, pelo frio do inverno e a forma como os dedos das mãos, em contacto com a humidade da vegetação, resultavam num estado "chocho" e decrépito. Curiosamente, atingiam também um estado de pureza nunca vista pois a humidade diluía e arredava dali qualquer vestígio de sarro que se ia acumulando nas entranhas das unhas mesmo que roídas...
Por tudo isto não percebo porque hoje, longe dessa realidade, acomodado neste quotidiano urbano em que a melhor forma de lidar com as coisas más consiste no isolamento delas, me invade uma nostalgia imensa a cada vez que este frio se assola sobre os dias de inverno... Invade de tal forma o meu pensamento ao ponto de me fazer querer voltar atrás no tempo e ser de novo o menino do campo que enterrava os pés na lama das várzeas de outrem porque as águas do rio que haviam subido, impossibilitavam a normal passagem pelo caminho de outrora!!!
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José Eduardo
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1 comentário:

Campos disse...

O Homem nunca está bem! No entanto tenta sempre resitir à mudança, nem que seja pela via da nostalgia...

(Campos)