sábado, 24 de abril de 2010

ausência

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Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
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Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond

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1 comentário:

Fancisco disse...

Meu Caro Zé Eduardo!

Carlos Drumont de Andrade é um poeta que citas amiúde.

Não conhecia este que evidencia que a ausência não é falta é preenchimento...e assim deixa de haver a sensação de falta e será t~sao mais preenchida quanto o for a falta.

Um abraço